Brazilian Feminism is growing! Introducing: #GirlUpBrazil

 by
Education , Global Goals , Leadership , Supporters in Action

By: Leticia Bahia, In-Country Consultant, Brazil 

I was around 10 years old when I heard my father tell my mother that I should not count on a “good marriage” to secure my future. At that time I didn’t even think about dating, but the idea that a “good man” would be the key to a happy and stable life had never crossed my mind. Even without ever having heard of Feminism, I already needed it…

When I was younger, the word ‘feminism’ had a negative connotation in Brazil. Everyone believed that the movement had already completed its work (“Women already vote, they already work, what else do these ladies want?”) and declaring yourself a feminist meant that you were way too much radical.

Even without ever having heard of Feminism, I already needed it…

Even in University, Feminism was not a common topic. Gender studies? No, there was no one talking about it in Brazil in the last decade. “Let’s just stick to Freud and the other guys.”

Of course I’ve always been bothered with harassment on the streets and public transportation, of course the fear of being raped was always somewhere in my mind, that my body and I were never good enough (even if I was thin, white and within all the traditional standards of beauty). But none of this had anything to do with Feminism. It was only a few years after graduating that Feminism knocked on my door – and it came to stay!

In 2013 got a job on a project to prevent teenage pregnancy and STIs. What an eye-opening experience! I found that Brazil is a world reference in HIV / AIDS prevention policies, that the taboo surrounding sex is the epidemic’s best friend, that Brazilian girls first have sex around the age of 17, that 18% of babies born in Brazil they are born from a teenager (and that these girls have a huge chance to drop their studies). I have found, in short, that being a woman in Brazil can be very hard, especially if you are a black woman or a woman of color. And I also discovered the antidote:

Feminism has transformed my relationships and the way I see the world. And it has been so spectacularly beautiful for me that it has become a mantra for life. Since 2015 I have the honor of saying that I am a Feminist. 

Earlier that year I joined a spectacular team of women, and together we created the first Feminist magazine in Brazil. Today, AzMina Magazine is an award-winning and well-known project here, and this is one of the many symptoms of a strong and growing Feminist movement.

Brazilian women still have much to conquer. We make up just over 10% of elected positions, 36% of us are married by age of 18, and one rape happens in Brazil every 11 minutes. But today we are sure: the game is about to change!

From street protests against rape culture to hashtags on sexual harassment, the movement doesn’t stop growing. Today, Feminism is so pop that it appears as a positive force in the characters of some of the most watched soap operas of the country. Violence against women is a constant issue in newspapers and TVs, and thanks to the feminist movement, Brazil today has one of the strongest legislation to address this issue. Even Barack Obama recognized the strength of Brazilian Feminism when he visited Brazil last October. He invited 6 people with relevant accomplishments in their fields to a dinner in which he wanted do dive deep in what the former president sees as strategic issues for his foundation’s projects. In the select group was Juliana de Faria, a prominent Brazilian feminist and founder of feminist think tank Think Olga.

Yes, we know there is still much to be done. But with so many powerful girls and women showing that Feminism has come to stay, it is impossible not to be sure: a country where men and women have the same rights and opportunities will definitely come true!

O Feminismo no Brasil não para de crescer!

Eu devia ter uns 10 anos quando meu pai disse à minha mãe que eu não deveria contar com um “bom casamento” para garantir meu futuro. Àquela época eu nem pensava em namoro, mas eu definitivamente nunca pensei que ter um “bom homem” ao meu lado seria minha chave para uma vida feliz e estável. Mesmo sem nunca ter ouvido falar de Feminismo, eu já precisava dele.

Minha adolescência passou sem que o Feminismo passasse perto. A palavra tinha conotação negativa no Brasil. Todo mundo acreditava que o movimento já tinha concluído seu trabalho (“as mulheres já votam, já trabalham, o que mais vocês querem?”) e que continuar se declarando feminista era ser radical demais.

Nem mesmo na faculdade de Psicologia, onde há pouquíssimos homens, o Feminismo apareceu. Estudo de gênero? Não, ninguém falava sobre isso.

É claro que eu sempre me incomodei com o assédio na rua e no transporte público, é claro que o medo de ser estuprada sempre esteve em algum lugar da minha cabeça, que eu e meu corpo nunca éramos bons o bastante (mesmo eu sendo magra, branca e dentro de todos os padrões de beleza que vigem no Brasil). Mas nada disso tinha qualquer coisa a ver com Feminismo. Foi só alguns anos depois de formada que ele chegou – e chegou com tudo!

Mesmo sem nunca ter ouvido falar de Feminismo, eu já precisava dele.

Em 2013, eu arrumei um emprego em um projeto de prevenção a gravidez e IST na juventude, e um mundo se abriu para mim. Descobri que o Brasil é referência mundial em políticas de prevenção ao HIV/AIDS, que o tabu em relação ao sexo é o melhor amigo da epidemia, que as brasileiras transam pela primeira vez por volta do 15 anos, que 18% dos bebês que nascem no Brasil nascem da barriga de uma adolescente (e que essas meninas têm uma chance enorme de largar os estudos). Descobri, em suma, que ser mulher no Brasil pode ser muito difícil, especialmente se você é uma mulher negra. E descobri também um antídoto.

O Feminismo transformou minhas relações e minha maneira de ver o mundo. E tem sido tão espetacularmente lindo que virou uma bandeira para a vida. Desde 2015 eu tenho o prazer de dizer que trabalho com Feminismo.

No começo daquele ano, me juntei a um time espetacular de mais 7 mulheres, e juntas criamos a primeira revista feminista do Brasil. Hoje a Revista AzMina é um projeto premiado e bastante conhecido por aqui, e isso é apenas um dos sintomas de um movimento forte e crescente.

As mulheres brasileiras ainda têm muito a conquistar. Somos pouco mais de 10% dos cargos eletivos, 18% de nós já está casada aos 18 anos, e um estupro acontece no Brasil a cada 11 minutos. Mas hoje nós sabemos que vamos virar esse jogo.

De protestos na rua contra a cultura do estupro a hashtags sobre assédio sexual, o movimento não para de crescer. Hoje, o Feminismo é tão pop que aparece como uma força positiva nos personagens de algumas das novelas mais assistidas do país. A violência contra a mulher é assunto constante nos jornais e TVs, e graças ao movimento feminista, o Brasil tem hoje uma das legislações mais fortes para enfrentar essa questão. Até mesmo Barack Obama reconheceu a força do Feminismo brasileiro quando esteve no Brasil em outubro passado. Ele convidou 6 pessoas relevantes em suas áreas de atuação para um jantar onde o plano era se aprofundar em temas que o ex-presidente julga importantes para os projetos de sua fundação. No seleto grupo estava Juliana de Faria, uma proeminente feminista brasileira e fundadora da Think Olga.

Sim, nós sabemos que ainda há muito a ser feito. Mas com tantas meninas e mulheres poderosas mostrando que o Feminismo veio pra ficar, é impossível não ter certeza: um Brasil onde homens e mulheres tenham os mesmo direitos e oportunidades está a caminho!